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Curva de lactato desenhada a giz com os limiares VT1 e VT2 e os três domínios de intensidade
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O mapa
do esforço

Moderado, pesado e severo: o que acontece no corpo em cada domínio, onde ficam as zonas CMTeam e como reconhecer onde você está sem laboratório.

Por San Palma, head coach26 de outubro de 20266 min de leitura

Todo atleta de endurance conhece três sensações: o treino longo em que dá para conversar, o treino que pesa mas se sustenta e o treino que queima e não dura. Não são só percepções. São três territórios fisiológicos diferentes, com objetivos e adaptações diferentes. A ciência do esporte chama isso de domínios de intensidade, e entender onde cada treino acontece muda a forma de treinar.

Dois limiares, três territórios

O esforço não é uma escala em que mais é sempre melhor. Ele é dividido por dois limiares.

VT1, o primeiro limiar. Abaixo dele, o esforço é predominantemente aeróbio, estável e sustentável por horas. Acima dele, o lactato começa a subir e a respiração deixa de ser automática.

VT2, o segundo limiar. É o ponto em que o lactato é produzido mais rápido do que o corpo consegue remover. Acima dele, o esforço tem prazo de validade: o relógio começa a contar.

ModeradoPesadoSeveroVT1VT2A0A1A2A3VO2ANZonas CMTeamconversa em frases completasfrases curtas, atenção constantesem conversa, ofeganteesforço 1–4 de 10esforço 5–7esforço 8–10ONDE CADA PROVA COSTUMA ACONTECER42K21K10K5Kintensidade →
Valores de referência: a posição exata de cada limiar, zona e prova varia de atleta para atleta e muda com o treino.

Moderado: o que mais constrói

Tudo abaixo do VT1. Aqui vivem as zonas A0 (recuperação ativa) e A1 (endurance), e é aqui que fica a maior parte do volume: na CMTeam, algo como 65 a 70% do tempo de treino.

Parece fácil demais para funcionar, e por isso é o domínio mais desrespeitado. Mas é nele que o corpo cria mais mitocôndrias, mais capilares, usa melhor a gordura como combustível e refina a economia do gesto. Nada disso aparece no relógio de um dia; aparece na prova.

Como reconhecer

Você conversa em frases completas, o esforço fica entre 1 e 4 numa escala de 10 e a frequência cardíaca é estável. Se as frases começam a encurtar, você passou do VT1.

O erro mais comum: o treino em grupo, a conversa anima e o A1 vira outra coisa sem ninguém perceber. Não custa nada naquele dia. Custa no treino forte de dois dias depois.

Pesado: o desconforto intencional

Entre o VT1 e o VT2 vivem o A2, mais perto do primeiro limiar, e o A3, mais perto do segundo. O lactato sobe, mas o corpo ainda consegue se equilibrar. É o território da resistência ao limiar: sustentar intensidades altas por blocos de minutos. Boa parte de um 70.3, de uma maratona ou de um trail longo acontece aqui.

Como reconhecer

No A2 ainda dá para trocar algumas palavras; no A3 a conversa acabou e a respiração pede atenção. Esforço entre 5 e 7. Passou de 8 e a respiração ficou ofegante? Você cruzou o VT2.

O erro mais comum: o dia em que as pernas estão leves e a série de A3 vira prova. A sensação é de conquista; a conta chega na recuperação, que deveria ser de 48 horas e vira 72.

Sentir-se bem é informação.
Não é autorização.

Severo: a dose é o treino

Acima do VT2 vivem o VO2, repetições de 2 a 5 minutos que elevam o teto aeróbio, e o AN, acima do VO2máx, tiros de 20 a 45 segundos com recuperação longa. É o domínio mais intenso, o mais curto e o que o corpo menos consegue absorver em quantidade: em torno de 5 a 10% do volume num modelo piramidal, até 15 a 20% num polarizado.

Aqui não importa quanto você fez, e sim se o estímulo chegou onde precisava, de forma repetível. Sair forte demais na primeira repetição gasta o que deveria durar a série inteira: o treino parece duro, mas o estímulo certo aconteceu só pela metade.

Na dose certa

Antídoto. Em excesso, veneno. Uma sessão de VO2 bem feita pede de 48 a 72 horas antes do próximo estímulo de qualidade.

Por que o mapa importa

Quem treina sem entender os domínios tende a transformar tudo em zona cinzenta: o leve fica um pouco forte, o forte não chega a ser forte, e nada constrói com eficiência. Quem entende sabe o que está construindo em cada sessão e por que o treino leve é tão importante quanto o forte.

Cada domínio prepara o próximo. Sem a base do moderado, o pesado cansa e não rende. Sem o pesado, o severo não se sustenta. A evolução é consequência de uma progressão respeitada.

Para o que sentir em cada zona, veja A Caixa de Energia.

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