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As seis zonas da Caixa de Energia desenhadas a giz, de A0 a AN
Artigo Data

A Caixa
de Energia

Sem relógio e sem fórmula: como cada zona soa por dentro, como você fala, quanto aguentaria e a armadilha de cada uma.

Por San Palma, head coach26 de outubro de 20264 min de leitura

Os números da sua planilha dizem onde você deveria estar. Este guia é para a hora em que você não quer olhar o relógio: o que você sente, como você fala e quanto aguentaria em cada zona da Caixa de Energia.

A zona é o endereço.
O que você sente é o GPS.

Antes de começar

Dê uma nota de 1 a 10 para o seu esforço. 1 é quase parado, 10 é tudo o que você tem. Seja honesto: o erro mais comum é achar que está num 5 quando está num 7.

Faça o teste da conversa. No meio de um treino leve, diga em voz alta: “Estou correndo em A1 e me sentindo bem.” Se precisou respirar no meio da frase, você acelerou.

O que sentir em cada zona

A0 · Recuperação

Como soa por dentro: “Poderia ir assim o dia inteiro. Estou me segurando.”

Como você fala: Conversa à vontade, dá até para cantar. Respira pelo nariz.

Quanto aguentaria: O dia todo.

Nota: 1–2 de 10.

A armadilha: “Isso é fácil demais, vou acelerar um pouco.”

O que fazer: Não mude nada. Se parece ridiculamente lento, está certo. Esse treino existe para você chegar inteiro no próximo.

A1 · Base

Como soa por dentro: “Estou trabalhando, mas poderia manter por horas.”

Como você fala: Conta o fim de semana inteiro sem parar para respirar.

Quanto aguentaria: Horas.

Nota: 3–4 de 10.

A armadilha: O grupo acelera, você vai junto, e quando percebe já está falando aos pedaços.

O que fazer: Reduza, mesmo que o relógio fique feio. Ninguém ganha prova no treino de sábado.

A2 · Tempo

Como soa por dentro: “Esforço de verdade, mas sob controle.”

Como você fala: Frases curtas, de três a cinco palavras. Dá para falar, mas você prefere não falar.

Quanto aguentaria: De meia hora a uma hora.

Nota: 5 de 10.

A armadilha: A planilha diz “ritmo de 10K” e você corre como se fosse a prova.

O que fazer: É aquele ritmo, com cabeça de treino. Segure a vontade de apertar.

A3 · Limiar

Como soa por dentro: “Estou no limite do que dá para segurar. Sei que não dura muito.”

Como você fala: Só palavras soltas: “sim”, “ok”. Qualquer frase precisa de pausa.

Quanto aguentaria: Uns 20 minutos.

Nota: 6–7 de 10, chegando a 7 no fim da série.

A armadilha: “Tô bem, vou fazer mais um.”

O que fazer: Pare no tempo que está na planilha. O tiro extra de hoje é o treino ruim de quinta.

VO2 · Tiros longos

Como soa por dentro: “É o máximo que dá para sustentar. Não tem conversa.”

Como você fala: Não fala. Só a cara diz alguma coisa.

Quanto aguentaria: De 3 a 8 minutos por tiro.

Nota: 8–9 de 10.

A armadilha: Sair voando nos primeiros segundos e terminar o tiro andando.

O que fazer: Comece controlado e deixe apertar. O pior momento do tiro tem que ser o último minuto, não o primeiro. Chegue ao fim correndo.

AN · Tiros curtos

Como soa por dentro: “Tudo o que eu tenho, agora.”

Como você fala: Nada. Mão no joelho quando para.

Quanto aguentaria: Segundos: de 10 a 90.

Nota: 10 de 10.

A armadilha: Descansar pouco e emendar o próximo tiro cansado.

O que fazer: Descanse de 3 a 5 minutos parado entre os tiros. Se o segundo sai igual ao primeiro, o descanso foi certo.

As regras de ouro

  1. A1 lento demais é melhor do que A2 rápido demais. Na dúvida, vá mais devagar.
  2. Tiro de VO2 não é sprint. É o ritmo que você aguenta por 4 minutos chegando ao fim correndo.
  3. Se não consegue falar frases, você está acima da zona.
  4. O descanso entre os tiros faz parte do treino.
  5. O relógio é referência. O corpo é a verdade.
  6. O treino mais difícil não é o melhor. O melhor é o mais certo.

Quer entender por que cada zona existe? Leia O mapa do esforço.

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