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Carla Moreno, cofundadora da CMTeam, ajustando os óculos antes de nadar em águas abertas em Miami
Artigo Swim

Educativos de natação

Por que educativo não é treino, as cinco fases da braçada, os dois pontos que resolvem quase tudo e três educativos explicados do jeito que o atleta da CMTeam recebe.

Por San Palma, head coach28 de outubro de 20266 min de leitura

Educativo não é treino. O treino gera adaptação por acúmulo de carga; o educativo constrói um padrão de movimento que depois se transfere para o nado em velocidade. A diferença aparece na forma de executar: o educativo é lento, deliberado e consciente. Se você o transforma em série rápida, ele deixa de existir.

A natação do triatleta não precisa ser rápida.
Precisa ser eficiente.

A natação é a menor fatia do tempo de prova e a maior fonte de desperdício de energia. Um nadador ineficiente não chega necessariamente mais tarde na T1: ele chega mais cansado. O objetivo dos educativos não é fazer você nadar rápido, é fazer você nadar gastando menos. O que você economiza na água é o que sobra para o resto da prova.

As quatro regras de execução

  1. 1
    Lento e certo vence rápido e errado. Sempre. Velocidade em educativo esconde o erro.
  2. 2
    Cada educativo tem uma sensação-alvo. Ela é o seu critério de acerto, mais confiável que qualquer descrição visual. Procure por ela.
  3. 3
    Se você terminou a série sem sentir nada diferente, você nadou. Não fez o educativo.
  4. 4
    Educativo com dor não é educativo. Ombro reclamando significa parar e avisar, não insistir.
A regra que vale para todos

Todo educativo existe para produzir uma sensação específica que você não consegue perceber nadando normalmente. A execução correta não é a que “parece bonita”, é a que produz aquela sensação. Quando ela aparece, o educativo cumpriu a função, e o que resta é repetição suficiente para que o padrão sobreviva à velocidade e à fadiga.

A braçada em cinco fases

Toda a técnica do crawl cabe em cinco fases. Cada educativo isola uma delas, para que você possa consertá-la sem pensar em todas ao mesmo tempo.

FaseO que aconteceO erro típico
1 · EntradaA mão entra na água pela linha do ombro, dedos primeiro, cotovelo ainda alto. Só depois o braço se estende à frente, por baixo da superfície.Entrar com a mão no centro, à frente da cabeça, cruzando a linha do nariz.
2 · PegadaO cotovelo sobe e fica acima da mão; o antebraço fica vertical, com os dedos apontados para o fundo.Manter o braço reto e empurrar a água para baixo em vez de para trás.
3 · PuxadaMão e antebraço, como uma pá única, empurram a água para trás, passando por baixo do corpo.Deixar o cotovelo cair no meio do trajeto e perder metade da superfície de tração.
4 · FinalizaçãoA puxada acelera no último terço e termina no quadril, com o polegar roçando a coxa.Encerrar a braçada na altura da cintura e jogar fora propulsão de graça.
5 · RecuperaçãoO braço volta à frente relaxado, com o cotovelo liderando e a mão pendurada logo abaixo dele.Recuperar com o cotovelo baixo e a mão alta, o que sobrecarrega o ombro.

De onde vem a propulsão: a puxada debaixo d’água responde por mais de 90% da propulsão no crawl. No triatleta de longa distância, a pernada serve sobretudo para estabilizar o tronco e manter o quadril alto, não para empurrar. Se o seu tempo de piscina é curto, é na braçada que ele rende mais.

Os dois pontos que resolvem quase tudo

A gangorra. Cabeça e quadril funcionam ligados: cada centímetro que a cabeça sobe é um centímetro que o quadril desce. Olhar para baixo e ligeiramente à frente, com a nuca alinhada com a coluna, resolve a maior parte dos casos de “perna que afunda” sem nenhum exercício adicional.

O antebraço vertical (EVF, de Early Vertical Forearm). Colocar o antebraço na vertical o mais cedo possível na pegada, com o cotovelo acima da mão e os dedos apontados para o fundo. Isso transforma mão e antebraço em uma superfície única de tração, em vez de só a mão. É o elemento técnico com maior retorno para o triatleta e também o mais difícil de perceber sozinho.

Três educativos, do jeito que estão na ficha

No guia completo dos atletas, cada educativo tem a mesma ficha: como executar, o que você deve sentir, o erro que anula o exercício e o material. Aqui vão três exemplos, um de cada ponto que mais custa tempo ao triatleta.

Mão fechada · Fist drill

Para que serve: obrigar o antebraço a virar superfície de tração.

Como executar: nade crawl com as duas mãos fechadas. Sem a palma disponível, a única superfície que sobra é o antebraço, e para usá-la você é forçado a subir o cotovelo. Alterne 25 m de mão fechada e 25 m de mão aberta.

O que você deve sentir: nos 25 m de mão aberta logo em seguida, a água parece muito mais firme e a braçada muito mais eficaz. É essa sensação que você persegue no resto do treino.

O erro que anula: abrir os dedos para “ajudar” quando a série fica difícil. O punho fica fechado: a dificuldade é o exercício.

Entrada alinhada ao ombro · 4 + 1

Para que serve: corrigir a mão que cruza a linha do corpo na entrada.

Como executar: quatro pernadas de lado, uma braçada. Na braçada, a única coisa que importa é onde a mão entra: na linha do ombro, nunca cruzando a linha do nariz. Dedos primeiro, cotovelo ainda alto, e só depois o braço se estende à frente por baixo da água.

O que você deve sentir: a mão entrando “na sua raia”. Se ela cruza, o corpo responde com um chute lateral para compensar, e você vai sentir esse chute.

O erro que anula: entrar com a mão à frente da cabeça, no centro. É o erro mais comum do triatleta e a principal causa de nadar metros a mais em águas abertas.

Visada · Sighting

Para que serve: navegar em águas abertas sem perder a posição do corpo.

Como executar: a cada 6 a 10 braçadas, use o apoio da braçada para levantar só os olhos acima da superfície, com o queixo perto da água, como um jacaré. Olhe, devolva o rosto para a água e respire para o lado na braçada seguinte. Olhar e respirar são dois movimentos separados, nunca o mesmo.

O que você deve sentir: a visada acontecendo dentro do ritmo da braçada, sem interrupção. Se o corpo desacelera a cada visada, você levantou demais a cabeça.

O erro que anula: levantar a cabeça inteira. O quadril afunda e você paga duas vezes: perde velocidade na hora e gasta energia para recuperar a posição.

Antes de entrar na água

Leia a ficha do educativo que está na planilha do dia. Trinta segundos de leitura na borda economizam uma série inteira feita errado. E se, depois de duas ou três sessões, a sensação-alvo não aparecer, o problema provavelmente não é falta de repetição: é a execução. Fale com o seu treinador antes de acumular volume em cima de um padrão errado.

Na CMTeam, o guia completo tem quinze educativos em quatro grupos (posição e rotação, braçada e pegada, respiração, águas abertas), uma tabela do tipo “se você sente isso, comece por aqui” e os oito erros que mais custam tempo na natação. Ele é material dos atletas do time: o treinador escolhe o educativo para o seu nado, e o guia explica o gesto.

Lento e certo vence rápido e errado.
Em educativo, sempre.
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